terça-feira, 18 de setembro de 2012

As músicas, os poetas e eu...

À luz de velas, acendo um incenso, abro uma garrafa de vinho.
Espalho meus discos na sala, não sei bem o que quero escutar.
Maysa rasga um “Ouça” em minh’alma; Nelson me apunha-la a flor e o espinho.
 Tom me afaga o peito, meio desafinado, Vinícius diz: eu sei que vou te amar.

João diz: não se apaga a memória da pele; Roberto aconselha: tente esquecer.
Perdida, deixo-me levar por Chico e grito eu te amo, com todo o sentimento.
Pois me disse certo dia o Aldir é preciso dar uma resposta ao tempo.
Inspirada em Nando, solto meus versos e este meu canto é dedicado a você.

Mais uma nota, outra letra torta, verto mais uma taça de vinho.
Meu companheiro é Cartola, que sem demora diz que o mundo é um moinho.
Caro leitor, não ria dos meus delírios, não quero que de mim deboche.
Posso ser a deusa do asfalto do Adelino, mas não o seu fantoche.

Sigo cantando e divagando nos desencontros que Represas me faz recordar.
Se Ângela me acende a fogueira, mergulho em Caymmi: é doce morrer no mar.
Findo a noite com Caetano, solto por aí, sozinho, cantando meu bem, meu mal.
Em Villa Lobos adormeço e das músicas me despeço numa melodia sentimental.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

As Tristes Rimas da Corrida Eleitoral


O horário eleitoral nos visita, entra e sai sem licença pedir.
Testa a nossa paciência, de um jeito sutil nos obriga a assistir.
É um vai-e-vem de novas caras, uma romaria de raposas insistentes.
Uns se arriscam debutando, outros arrastam seus descendentes.

Falar do outro é o mote, a nota primeira, o tema central.
Apresentar propostas para que, se o que vale a pena é “malhar o pau”?
Um acusa o Zé das Couves de não ter cuidado do lixo de sua cidade.
Esquece também que o povo é quem mais produz a sujeira da comunidade.

Gastam seu curto espaço de tempo tratando mal o oposto candidato.
Acabadas as eleições, aquele mesmo agredido se torna o maior aliado.
Subestimam a inteligência do povo, duvidam do seu conhecer.
Nem atinam que em suas falas combinadas lhes falta muito saber.

João das farinhas afirma que fez o céu, a terra e promove o ar.
Manoel da padaria diz que o mar foi da gestão dele e se ele quiser manda secar.
Antônio entra na briga, acusa de preconceito a atual gestão.
O coitado nem se dá conta de que ele próprio levanta a bandeira da segregação.

Uma coisa fica clara: sobre gestão do tempo ninguém tem competência.
Entram no ar para acusar uns aos outros, se desdobram em incoerência.
Não trazem suas propostas, não apresentam o que desejam fazer.
Perdem a chance de chegar ao coração do povo, de "se autopromover".

Candidatos da minha cidade mostrem ao povo uma história diferente.
Usem sua propaganda, que para nós foi imposta, de forma mais inteligente.
E não venha me dizer, Sr. José, que estas rimas foi você quem as escreveu.
Não banque o esperto comigo, pois bato o pé e tenho dito: este texto é meu.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Estou Cansada...

O caminho é longo, sem destino corre a estrada, mas eu... eu estou cansada...


Na vida se aprende que se deve o bem praticar.
Ser altruísta, dividir o pão, as dores do outro acalentar.
Deve-se agir com pureza d’alma, deixar-se guiar pelo coração.
Não exigir nada em troca, exercitar sempre o perdão.

O caminho é longo, sem destino corre a estrada, mas eu... eu estou cansada...

A vida testa os limites, busca os verdadeiros sentimentos.
Mas cada um sabe de sua angústia, o que lhe arde por dentro.
O cansaço reclama para si o desejo de ver-se também cuidado.
O corpo emite um grito silencioso: ‘eu também quero ser amado’.

O caminho é longo, sem destino corre a estrada, mas eu... eu estou cansada...

Eu estou cansada... de compreender, estou cansada de aceitar.
Estou cansada de ser condescendente, estou cansada de ter que agradar.
Estou cansada de esperar que o conforto alheio me traga um instante de alegria.
Estou cansada de ter que dar o meu abraço e não ter um aconchego ao fim do dia.

O caminho é longo, sem destino corre a estrada, mas eu... eu estou cansada...

Estou cansada de cuidar, de ter que entender, de ser paciente.
Às vezes, também quero colo, eu também sinto, existo, sou gente.
Estou cansada de ouvir em silêncio, e o que sinto ter que calar.
Estou cansada de curar no outro as feridas, enquanto as minhas se vão a sangrar.

O caminho é longo, sem destino corre a estrada, mas eu... eu estou cansada...

Estou cansada de estender a mão e do outro lado nada encontrar.
Quero agora dividir, meu desejo é partilhar.
Estou cansada de ser a amiga, sempre pronta a atender numa hora qualquer.
Quero ser a companheira admirada, a amante desejada, quero ser a mulher.





sábado, 1 de setembro de 2012

Setembro... sinais de uma nova era


Eu gosto de setembro: leva para longe as mazelas de agosto.
Eu gosto de setembro: suas flores trazem esperança, afasta o desgosto.
Em setembro, predominam os virginianos, chegam também os de libra.
Em setembro, brotam as sementes, os ventos se acalmam, a natureza se equilibra.

As pessoas de virgem me trazem alegria, especialmente aquela de quem sou raiz.
As de libra me encantam, me divertem, me seduzem, me fazem feliz.
A cunhada, os irmãos, a sobrinha, os primos, os caros amigos.
Não posso abraçar a todos em seu dia, mas em meu peito carrego todos comigo.

Eu gosto de setembro: finda o outono, se aproxima a primavera.
Eu gosto de setembro: traz no ar um recomeço, o início de uma nova era.
Em setembro nos preparamos para viver a estação das flores.
No Nordeste o sol brilha forte, nosso céu é mais azul, enxergamos novas cores.

Eu gosto de setembro: não para fazer um balanço do que se conseguiu até ali.
Eu gosto de setembro, porque nos inspira a olhar para frente, nos ajuda a seguir.
Em setembro se aproximam as festas, os projetos vão se concluindo.
Em setembro já avistamos o nascer de mais um ano, novos sonhos vão surgindo.

Eu gosto de setembro, embora me lembre de que logo mais terei nova idade.
Em setembro, já sinto o aroma de dezembro... que os 45 me tragam a felicidade.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sentimentos Controversos




Como entender o limite entre dizer o que se sente e expor-se inutilmente?
Como botar para o fora o que sangra o peito, sem mutilar-se inteiramente?
Como guardar um sentimento se a vontade é escancarar a emoção?
Como calar-se sem ter o arrependimento de seguir o coração?

Como negar o que sinto se perto de ti meu corpo se põe a bambear?
Como silenciar os anseios da alma se o que quero é me entregar?
Como esconder o desejo, se quando te vejo quase perco os sentidos?
Como não querer aquele beijo que me despertou os impulsos adormecidos?

Como conviver com o “quem sabe”, o “pode ser”, o “talvez”?
Como aceitar o silêncio, compreender a recusa, esperar a “minha vez”?
Como manter-me distante se é justamente a tua falta que me angustia?
Como alegrar-me com a noite se não tive teu sorriso um instante sequer do dia?

 Como esperar sem cobrar do tempo, sem sentir, sem sofrer?
Como ignorar a paixão que mesmo calada grita até ensurdecer?
Como punir o ladrão de sonhos que nos impede de sonhar?
Como saber se não somos nós mesmos o infrator, o que deixou de acreditar?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Portas fechadas... ruas sem saída


Ouvi dizer que para uma porta fechada,
Sempre haverá uma janela escancarada.
Ouvi dizer que passada a tempestade se fará bom tempo.
Que deixados os infortúnios para trás, haverá novo momento.
Creio firmemente e prossigo, penso ter um caminho encontrado.
Portas fechadas, ruas sem saída, não há nada do outro lado.
Minhas janelas não têm frestas, meu jardim menos flores, mais espinhos.
Não há árvore em minha floresta, só o vazio no meu ninho.
Aponto o dedo para o horizonte, ele me sorri.
Aproximo-me e tudo desaparece, era só miragem o que vi.
Sinto tua mão que me afaga, que meu rosto acaricia.
Abro meus olhos, não era nada, era sonho o que eu vivia.
Penso ouvir tua voz, o teu sorriso que me acalma.
Tudo outra vez ilusório, apenas desejos de minh’alma.
Sinto teu abraço que me envolve, ensaiamos um bailado lentamente,
Como mágica tudo se dissolve, estou dançando sozinha novamente.
Teus olhos vêm ao meu encontro, me fascinam, me seduzem.
Mas não sei o que de mim querem, não compreendo o que traduzem.
O teu cheiro me embriaga, faz pulsar tudo em mim.
É real ou delírio? Não... é um querer que não tem fim.
Meus dias são assim, portas fechadas, ruas sem saída.
Em meu palácio, todavia, as paredes são firmes, em mármore esculpidas.
No céu dos meus sonhos, as estrelas dançam reluzentes,
O sol abraça a lua, e podem se amar finalmente.
Nossos momentos são raros, porém coloridos, me levam à terra prometida.
Mas no instante seguinte que te busco, fico à tua espera, adormecida.
Desapareces entre nuvens e o teu silêncio me angustia.
Meu coração segue esperando, tolamente acreditando que seremos um do outro algum dia.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Saudade...




Andei me questionando o que é saudade,
Busquei-a nos dicionários, nada a define com verdade.
Estará no campo dos sonhos? Ou é dura realidade?
Será sinônimo de dias tristonhos? Ou razão de ansiedade?

Andei me perguntando que dor é esta que arde em meu peito,
Que me deixa aflita, que me tira o sono, que me deixa sem jeito.
Aonde será que ela começa? Por que será que não tem fim?
Por que meu coração atravessa? Por que não sai de mim?

Do que será que sinto falta? O que tanto luto para encontrar?
O vazio me maltrata, o silêncio me tortura, se é saudade, não sei como explicar.
Já tentaram traduzi-la, mas saudade só há no meu falar.
Não há orgulho nem beleza, saudade traz tristeza, não importa o linguajar.

Andei me questionando se o que sinto saudade poderia ser,
Talvez seja um desengano, uma angústia em meu viver.
Não sei ao certo o que estou falando, não sei que nome tem o meu sentir,
Só sei que quando estou chorando é a saudade gritando, me pedindo pra sair.