quinta-feira, 26 de julho de 2012

Se eu fosse uma música...


Se eu fosse uma música, não sei qual seria a melodia.
Sei que teria letra doce, porém forte e vibrante, iluminaria o teu dia.
Se eu fosse uma música, não cantaria tristeza.
A cada estrofe versada exaltaria a tua beleza.

Se eu fosse uma música, a todo instante me ouvirias,
Estarias comigo a cada passo, o teu sono embalaria.
Se eu fosse uma música, alegraria teus dias tristonhos,
Alcançaria teus pensamentos, realizaria os teus sonhos.

Se eu fosse uma música, de novela não seria o tema,
Seria trilha sonora de um só, seria teu o meu poema.
Se eu fosse uma música, somente tu me entenderias,
Contaria a nossa história, teria apenas eu e tu, ninguém mais caberia.

Se uma música eu pudesse ser, não sei que nome daria.
Talvez não precisasse ter título, quem nos conhece a nós veria.
Se uma música eu pudesse ser, além de versos ela teria cor,
Saberiam tratar-se dos teus olhos, te reconheceriam, logo entenderiam: é amor.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Teste de Literatura

Um jogo interessante sobre os livros que lemos. Vale a pena acessar o link. Cada vez que se joga, aparecem novos trechos diferentes dos livros. Divirtam-se!

http://revistaescola.abril.com.br/swf/jogos/jogoLiteratura/

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Miscelânea de mim


Sou uma mistura de tudo, sou menina, sou mulher.
Sou aquela que sonha, que trabalha duro, que espera com fé.
Nasci católica, da Bíblia sempre me aproximei.
Busco conhecer a cultura umbandista, pelo Espiritismo me encantei.

Tudo o que é do bem é obra de Deus.
Creio em santos, sei que há anjos, o meu, o seu.
Medito em tudo que me aquieta a alma.
Busco o colo de Maria, o amparo de Jesus me acalma.

Sou uma mistura de tudo, sou menina, sou mulher.
Se fosse animal, um gorila seria, o seu olhar me transmite o orgulho de ser quem é.
Gosto dos cavalos pela beleza, pelo passo certo, por sua força e poder.
Dos sapos, aprecio a beleza dos saltos, buscando alcançar o que deseja ser.

Sou uma mistura de tudo, sou menina, sou mulher.
Sou masculino no feminino, o futebol não posso perder.
Da novela aos suspenses, da comédia ao seriado.
Vejo drama, esportes, romances e me encanta o desenho animado.

Sou uma mistura de tudo, sou mulher, sou menina.
Tenho medo escuro, o vazio me persegue, solidão é minha sina.
Para vencer o monstro do silêncio, trago sempre a luz acesa.
A música é sempre o meu alento, espanta a minha tristeza.

Sou uma mistura de tudo, sou mulher, sou menina.
Trago na voz um dom, já ouvi dizer que meu canto fascina.
Sou romântica, gosto de flores, de afago, de aconchego.
Adormeço buscando o abraço que espero e nunca vejo.

Sou uma mistura de tudo, sou mulher, sou menina.
Acendo velas, meus incensos, busco a prece, a oração me ilumina.
A minha mistura de tudo me inspira a querer o bem.
A menina ainda sonha, a mulher acredita que um grande amor ainda vem.

19 de julho de 1986


Com uma caneca de leite desnatado,
Recordo o 19 de julho de 1986,
Brindo àquela inesquecível tarde de sábado,
Uma saudade gostosa faz-me viver tudo outra vez.

Conversávamos na calçada e uma leve chuva caía,
Lembro-me de cada detalhe, até da roupa que vestia.
Usava blusa preta e um short tricolor,
Disseste-me “_sou rubro negro, mas este short em você está um primor”.

Vivia o auge dos 18 anos, mas ainda em plena inocência,
Tu gozavas teus 23, de pura malícia e saliência.
Tinhas um olhar misterioso, um jeito sedutor,
Um sorriso de canto de boca, um ar cínico, encantador. 

Nossos olhares se cruzavam ia dali um tempo,
Certo dia nos apresentaram, dava-se, então, o meu tormento.
Já havia alguns anos que nos déramos a falar,
E, quem diria, naquele dia, o primeiro beijo iríamos trocar.

Recordo agora o que fora aquele instante: o antes, o então, o depois. 
Seguimos cada um a sua história, mas guardo sempre comigo o que fomos nós dois.
Em ti depositei meus sonhos, criei todas as fantasias,
Vivemos algumas loucuras, tivemos nossas alegrias.

Foste em mim o desejo, o medo, os sonhos não realizados,
Despertaste em mim todos os sentidos, os vividos, os idealizados.
Eu te amei ainda menina, jurei guardar-me para ti,
Eu não fui sequer tua namorada, mas foi feliz o que contigo vivi.

Um brinde a nossa juventude, um brinde a nossa história,
Ao 19 de julho de 1986, às lembranças que sempre estarão em minha memória.

As Damas: o lar x o cabaré


Nos anos de 1920, quem tinha a “vida fácil”: a dama ou a mulher-dama? Nos lares distintos daquela época, o dono da casa se dirigia à sua esposa, geralmente, dando-lhe ordens, desfiando um rosário de obrigações. As damas, por sua vez, respondiam com “Sim, senhor meu marido”, “Como o senhor desejar, senhor meu marido”. Nos cabarés, todos se divertiam; nas casas de tolerância, tolerava-se de tudo. Ali era lugar de alegria, de contentamento.

As mulheres-damas, se não eram tratadas com o respeito, tinham a liberdade de sorrir, de dançar, de escolher com quem se deitar; podiam se dar ao luxo de sentir prazer. Não tinham que obedecer a um: [“_Prepare-se e espere por mim no quarto, que hoje eu vou lhe usar!”]. Se assim desejassem, poderiam ler o livro que quisessem. Enquanto que as moças de família raramente podiam estudar. Estudar poderia aludir ideias nas mentes das moças, levá-las a cometer ousadias, pensar como homem.

Ao homem cabia conjugar bem o verbo MANTER. Os ricos mantinham suas famílias – as legítimas e as tantas outras alhures espalhadas. Mantinham sua moral “ilibada”; mantinham sua postura firme, merecedores de obediência; mantinham o direito sobre as mulheres; mantinham suas “teúdas” e “manteúdas”; e mantinham sua fama de poderosos, coronéis sem patente. Os pobres, mesmo sem um tostão furado no bolso, mantinham sua rigidez no trato, herdada de seus pais; mantinham suas famílias, as de conhecimento público e as demais.

As moças de “vida fácil” não podiam circular entre as senhoras, mas, em seu território, caminhavam com a liberdade de quem pode desfrutar alegrias, viver fantasias, se encantar com a companhia dos seus escolhidos. Até podiam sonhar com amores impossíveis. Às senhoras, impossível, mesmo, era amar.

Esquecendo-se de quem fora Maria Madalena, a igreja negava a fé das “rameiras”, preconizava que ali não era lugar de mulher-dama. Era um acinte às damas da sociedade. Estas debulhavam o terço em seguidas novenas, mas negavam o mandamento – amai ao próximo como a ti mesmo.

Casamento de “quenga” era um sonho; para as damas da sociedade, muitas vezes era um pesadelo. Enquanto as primeiras sonhavam encontrar alguém que as levasse ao altar, as segundas já nasciam comprometidas com casamentos arranjados, até mesmo por famílias que mal tinham um lote de terra como dote. Umas sonhavam com um homem que lhe desse amor, um lar, filhos e prazer. Outras sabiam que teriam uma casa, uma família, obrigações. Amor era artigo de luxo; prazer, coisa de mulher-dama.

Enquanto as mulheres-damas abriam os olhos e o sorriso para escolher seus parceiros, seus “chamegos” preferidos, as damas fechavam os olhos e o coração às afrontas do marido, aos seus casos, às suas “teúdas” e “manteúdas”. Guardadas as devidas proporções, no fundo, uma ambicionava viver a vida da outra. Guardadas as devidas proporções, ainda há muitas personagens reais daquela época vivendo nos dias atuais.

Voltando à pergunta inicial: a quem pertencia a “vida fácil”? Tal qual o texto de um poeta, a resposta vai depender do olhar que se dá à leitura; a resposta vai depender do sentimento que se propõe a experimentar o lugar do outro; a resposta pode depender do que se tenha vivido; a resposta... vai depender do sentido que a ela se queira dar.

Ao longo da história, muitas foram as repostas. Houve mulher-dama se tornando dama da sociedade e senhoras distintas abrindo cabarés. Houve mulher-dama se tornando imperatriz. Houve que não quis um lado nem o outro: as chamadas revolucionárias. Muitas pagaram caro por sua ousadia, outras tiveram sucesso em suas empreitadas, mas todas fizeram história e deixaram marcas em sua trajetória. As fictícias e as reais. Seja na pele de Frinéia, Teodora, Apollonie Sabatier, Marie Duplessis, Tina Tati, Madame France, as Tietas e Marias Machadão de Jorge Amado; seja na pele de Chiquinha Gonzaga, Olga Benário, Anita Malfatti, Pagu, Guiomar Novaes, Yolanda Penteado, Maysa, Simone de Beauvoir... Sempre haverá alguém para gritar ousadias, quebrar as regras, para ditar novos padrões. Às mulheres de hoje, cabe reverenciá-las e, inspirada nelas, seguir suas próprias revoluções.

O Meu Cenário de Amor


Nos braços de um bem querer
Eu quero morrer qualquer dia
Vamos criar nosso cenário de amor
Um abajur aceso iluminando o nosso quarto
Nossos corpos enrolados debaixo do edredom

Na mesa uma cerveja, com petisco e muito enredo
E na varanda eu na rede a lhe chamar
Um disco na vitrola tocando a nossa canção
E faremos amor numa noite de luar

Não tem esteira,
Mas no tapete tem chamego a noite inteira
Dançando, se amando, numa entrega verdadeira
E nós vamos tornando nosso sonho encantador
E o coração,
Num bate-bate emocionado segue trilha
E gente acerta o passo, forma a nossa quadrilha
E no São João teremos nossa noite de amor

Revelando os Sentimentos...


Às vezes é difícil expressar o que sentimos: como seremos entendidos? Seremos entendidos? E nós? Sabemos o que de fato sentimos? Será que sentimos? Às vezes, passamos boa parte de nossas vidas dedicando sentimentos, mesmo a quem não se importa com o que sentimos. Um dia acordamos e nos damos conta de que todo nosso sentimento não rendeu frutos, não provocou no outro a mesma sensação. Começamos a pensar que melhor seria se nada sentíssemos e nos fechamos aos sentimentos. Na verdade, não deixamos de sentir, apenas mudamos de sentimentos: sai a ternura, aporta uma dolorosa saudade; se vai a felicidade, toma assento uma amargura sem fim... Parece que não haverá mais bons sentimentos.

De repente, um sopro de alegria paira em nosso rosto, como uma brisa suave... Singelo, passageiro, bobo, por assim dizer, mas nos dá a clara sensação de que estamos vivos... ainda. A nós nos parece que o sentimento quer dizer que está ali, buscando ser sentido. E como um pássaro que entoa seu canto ao primeiro raio de sol, saímos a descrever o que sentimos, como se quiséssemos provar a nós mesmos que estamos vivos... ainda. E se quiséssemos expressar o que sentimos? Seríamos compreendidos? Nós o faríamos na medida certa? Jamais saberemos. Às vezes, as pessoas provocam sentimentos e sentem muito, porque talvez não fosse bem aquilo que elas queriam que o outro sentisse. Não queriam? Não imaginaram por um segundo que as pessoas poderiam, sim, se sentir tocadas e desejosas de se entregarem aos sentimentos? E agora? O que fazer com o a gente sente, com o que nos foi provocado? (Des)sentir? Sinto, de fato, que nunca saberemos...

As pessoas sentem de maneiras diferentes. As pessoas sentem mais, sentem menos... Geralmente, sentem muito que não sintam... nada. As pessoas se assustam com os sentimentos... Sentir dói, por vezes, (des)sentir mais ainda, porém muito mais triste e doloroso, mesmo, é não ser capaz de nada sentir.